Facebook e Twitter viram antagonistas políticos na China

Dois dos fenômenos da internet atual, o site de relacionamentos Facebook e a ferramenta de “microblog” Twitter se envolveram, sem querer, na política chinesa, embora por dois caminhos diferentes.

Enquanto o Facebook se transformou em veículo de apoio ao primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, o Twitter foi o veículo escolhido por alguns dissidentes para expressarem suas idéias.

O grupo de Wen Jiabao no Facebook (www.facebook.com/pages/-Wen-Jia-bao/13823116911?ref=s) já tem cerca de 48 mil partidários e o ritmo aumenta rapidamente com o acréscimo de milhares por dia.

Wen Jiabao é nesta rede o sexto político com mais “fãs”, na frente do presidente norte-americano George W.Bush e do líder francês Nicolas Sarkozy, embora todos estejam ainda muito longe do candidato democrata norte-americano, Barack Obama, que já conta com mais de 900 mil admiradores.

A página de apoio a Wen foi criada no mês passado, período no qual o primeiro-ministro visitou a região afetada pelo terremoto de Sichuan no dia 12 de maio. As imagens do líder político chorando com as vítimas e tentando consolar as pessoas ainda presas aos escombros deram a volta ao mundo e sua popularidade aumentou de forma meteórica.

É desconhecida a identidade de quem criou a página de Wen. “Sempre estaremos com você. Amamos você!”, diz um dos comentários deixado por um cidadão de Hong Kong que assina como “Kiko Lau”, enquanto outro internauta apelidado de Michael Tse agradece a “grande humanidade ao visitar sempre pessoalmente as regiões atingidas por desastres”.

Twitter

No lado oposto da política chinesa, dissidentes também tentam usar a internet para expressar suas idéias, já que não possuem voz nos meios de comunicação, fortemente controlados por Pequim.

Alguns escolheram os blogs, caso do ativista Hu Jia, que está preso desde dezembro de 2007. Entretanto, diante do bloqueio de muitos blogs, algumas pessoas começaram a usar o Twitter, cujo acesso por enquanto não está limitado na China.

Entre os críticos à Pequim que começaram a usar esta ferramenta está a mulher de Hu Jia, Zeng Jinyan, outra conhecida dissidente e blogueira.

Sua conta (twitter.com/zengjinyan) substituiu os e-mails que habitualmente ela e seu marido mandavam aos jornalistas, nos quais informavam sobre a sua prisão domiciliar e o assédio das autoridades.

Em suas últimas mensagens de Twitter, Zeng informava que a vigilância policial contra ela e sua filha tinha aumentado, além de se queixar de assédio físico dos policiais.

Outras contas do Twitter tentam lembrar os internautas da situação de alguns dissidentes chineses, como uma dedicada a pedir a libertação de Hu Jia (twitter.com/freehujia).

A China alcançou no final do mês de fevereiro 221 milhões de usuários de internet, superando pela primeira vez os 215 milhões dos EUA e passando a ser a maior comunidade do mundo, apesar das muitas limitações que a rede tem no país asiático.

A internet se transformou na China no meio a comunicação preferido pelos mais jovens, já que, apesar do controle estatal dos conteúdos, é ainda o melhor veículo para a discussão e expressão de idéias no país asiático.

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