Câmeras “pinhole” (buraco de alfinete) são caixas que focalizam um imagem em seu interior a partir de um minúsculo orifício na lateral oposta. A imagem pode ser vista na hora ou registrada em filme, papel fotográfico ou até um sensor digital. Conhecido há mais de dois milênios, o fenômeno é considerado a base da fotografia e ainda hoje é aplicado em aulas de ciências, fotos artísticas e visualização de eclipses solares.
Embora existam pelo mundo algumas “câmeras obscuras” construídas em prédios que se tornaram atrações turísticas, é mais comum que sejam uma simples caixa ou lata do que uma sala inteira. E nunca ninguém havia construído uma pinhole gigante com mobilidade suficiente para fotografar imagens de todos os estados brasileiros em um roteiro de mais de 25 mil quilômetros.
Pois o feito do fotógrafo português Mica Costa Grande, idealizador do projeto “O Brasil pelo Buraco da Agulha”, foi exatamente esse. A bordo de um caminhão-baú transformado em casa sobre-rodas, o gajo saiu de Brasília, visitou Cuiabá, Goiânia, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e Monte Roraima e acaba de passar por Manaus. Está um tanto atrasado em relação ao cronograma divulgado no site da expedição, mas isso não torna a empreitada menos interessante.
A matemática das pinholes diz que, até certo ponto, quanto menor o buraco, mais definida fica a imagem – o mesmo que acontece quando reduzimos a abertura de uma câmera comum. Mas o tamanho do orifício também depende da distância focal da câmera – o espaço entre o buraco e a parede oposta. No caminhão de Costa Grande, o buraco de alfinete mede 2mm de diâmetro e o negativo, 5 metros quadrados – cinco mil vezes o tamanho de um fotograma de 35mm e dezenas de milhares de vezes maior que um típico sensor de câmera digital compacta!
O processo da fotografia pinhole exige tempos de exposição consideravelmente maiores para sensibilizar o filme. No caso do caminhão, serão períodos de 8 a 12 horas – tempo suficiente para tirar alguns milhões de fotos com uma câmera comum. E os curiosos terão que esperar ainda mais tempo para conferir o resultado, pois apesar de todo o progresso da expedição estar sendo compartilhado em forma de blog, as fotos só serão divulgadas no ano que vem, depois de concluído o trajeto. Aguardamos ansiosamente.
Fonte: wnews
Autor: Julio Preuss
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